de repente voltei a ver bem. deixei de sentir aquele ardor nos olhos e quase dispenso os meus velhos óculos de sol, não fosse a claridade a maior inimiga da minha íris. vejo o tempo cair devagarinho, impagável, e demoro-me nele à espera de um sinal que possa trespassar a névoa que por vezes me ofusca e me confunde o horizonte. o que vai lá, no horizonte. o azimute da minha alma que se esconde estando ali, sempre ali, à espera que eu corra para ele e o agarre com todas as minhas forças. eu vejo-te bem hoje, meu querido azimute. podes esperar por mim, se não te importares? deixa-me tratar duns assuntos que eu vou já...

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porra bem mais fixe este texto despretensioso que a merda do blog eroticidades que até tem livro publicado e vende-o por 7euros e meio veja-se só, que seca, parecem us desabafos da minha prima de 14 anos, só que ela tem mais que fazer



MÃOS MANCHADAS

Falta de apego
confortavelmente deitado a apanhar ameixas
à medida que a matéria vai sendo leccionada,
mal abre os olhos
mas ouve tudo o que pensa necessitar,
enquanto deixa passar ao lado
cores que podiam ser mais que verdadeiras,
nem pestaneja,
escolhe encolher-se na cadeira e deixar-se estar
nos subtis movimentos que proclama épicos e
que em sonhos foram revoluções inconformadas,
na verdade,
não desafiaram o medo e deixaram-se ficar
mal sucedidas, ao longe e
sempre de copo cheio na mão, com
o tumor a criar bolor pelas palmas manchadas,
activas na nudez de seu estúdio privativo
defronte ao computador
onde se masturba rapidamente e
agarra, sem o vigor dos dezoito anos,
os binóculos esverdeados de explorador e
vê a vida
a decorrer a seu tempo e ao sol do dia
pela madeira morta de cerejeira dos móveis oferecidos,
está totalmente só sem necessidade,
não experimenta a dor
porque esconde o ego narcisista que sente que transmite
e odeia, o passado provoca
o colapso constante, imutável teimosia instalada
que receia outro sabor também perene
a rejeitar anedotas mal barbeadas
que baloiçam sozinhas utopias de coração fechado,
nelas será reconhecido pelo movimento brilhantemente orquestrado
da sua cadeira de baloiço,
o eterno génio contemporâneo sem esforço
vincado para todo o sempre
no montículo de toupeiras remexidas
dos anais da história universal.
2003
in FOTOSINTESE



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