Ouvir Young dá-me para escrever destas coisas. Ontem estive no Perestroika Café, o Hernâni tinha chegado de mais uma viagem por essa Europa, e estivemos um bom pedaço à conversa. É sempre bom termos amigos destes, gajos que, por força da sua profissão, visitam outras cidades europeias, e como o Hernâni não é, nem de longe nem de perto, o protótipo do “camionista-barrigudo-que-passa-os-tempos-livres-no-camião”, acaba por ter sempre coisas interessantes para contar. E lá me foi dizendo que Marselha está demais, com as discotecas e bares cheios de gente, bem disposta e apelativa. Mas Espanha é mesmo a rainha da noite. Não há noites quentes como as espanholas. Tudo o que é bar está repleto de vida. Eu ouvia o meu amigo e pensava para comigo: nós aqui, neste país, somos mesmo uma não realidade. Somos uma espécie de gente adiada que desata a envelhecer, fazendo das rugas o relatório de uma vida de casa trabalho, trabalho casa. É impressionante a forma como desperdiçamos o nosso clima, as ambiências próprias de latinos que somos.
Estas conversas, ao cair da meia-noite, fazem-me desejar, por vezes, pegar no carro e mandar-me daqui para fora. Por vezes apetece.
Hoje é sexta-feira e pronto. Mais um fim-de-semana, mais um copo. Muita gente também, mas pouca substância, franqueza quase nenhuma. Estou triste pelo olhar inseguro daquela moça que passa no bar. Estou sinceramente desapontado com a reserva moral que paira nas mentes deste povo que atina, e faz de si uma montra, nada mais. Eu não quero montras, quero um barco onde possa viajar.
[fotografia de © 2004 bruno alves - pode ver mais aqui]
sexta-feira, 21 de maio de 2004
quinta-feira, 20 de maio de 2004
novos links
adicionei mais uma resma de links ali na coluna da direita:
MyMoleskine
Doce da Avozinha
Congelo em S. Francisco
Nem Moscas Nem Mosquitos
Entre o sono e o Sonho
Wildblue
Portugal Profundo
Ideias Soltas
Nevoeiro de Luz
Mentecapto
Com Pinga de Sangue
Pecola
Preceitos
Cinema Xunga
WcPato
Ma-Schamba
o casamento
Lolita, a mui querida colega da blogosfera, atirou para cima do seu “Blogame Mucho” um tema muito interessante: o casamento. Li com gosto e apeteceu-me logo expressar o meu ponto de vista sobre o terceiro “sacramento” católico (depois do baptismo e da comunhão, antes do funeral, espera-se).
Ora bem. Eu sou casado há 16 anos, logo, suponho ter alguma experiência sobre o tema. Acontece que antes de ser casado já era maluco, disperso, extrovertido. Casei cedo e nunca aceitei de bom grado o ciclo altamente sedentário que o casamento impõe, apesar de sermos todos muito modernos. Depressa me cansei de permanecer em casa a engordar e nem sequer me lembro de ter acolhido um casal que fosse, naqueles jantares atrofiados, cheios de salamaleques e conversas à volta de bibelots, ou vendo aquele filme empastelado, mas que é do gosto dos convidados. Para mim não dá. Quanto ao relacionamento com a minha mulher, nada mais simples: ajudo no que posso e dou graças a deus por ela aceitar, a custo, aquela regra judaico-cristã de que a mulher tem de engomar e andar à volta dos tachos (confesso que não sei engomar mas sou um artista na arte gastronómica). Isso até nem é o que mais arrelia um casamento. O que verdadeiramente destrói os casamentos é o enfado, o compromisso do compromisso. Eu explico: nunca me hão-de ver a conviver com os amigos da minha mulher, só porque são amigos dela. Nunca hão-de ver a minha mulher a jogar poker e a beber cerveja com os meus amigos, só porque eu gosto. Nada disso. Amigo não empata amigo. Seguindo esse princípio, garanto-vos que o amor, chamem-lhe o que quiserem, nunca desce, jamais acaba. Porque há sempre descobertas a fazer-se, enquanto casal. Há sempre um laivo de loucura em cada olhar, em cada aroma. E nem falo dos filhos, porque a esses eu amo demais e nunca serviriam para sustentarem o meu casamento. E para terminar eu passo aqui, um pequeno excerto de uma conversa que tive com a minha mulher há quatro dias atrás, para perceberem bem onde pode estar esse tal amor de que muitos duvidam: “que queres para o almoço? língua ou espetada?” respondi de pronto: “tu é que tens que me dizer o que queres”. Ela retorquiu com paixão: “Sabes bem que eu quero sempre as duas coisas”. Eu só tenho é que dar, mainada.
Ora bem. Eu sou casado há 16 anos, logo, suponho ter alguma experiência sobre o tema. Acontece que antes de ser casado já era maluco, disperso, extrovertido. Casei cedo e nunca aceitei de bom grado o ciclo altamente sedentário que o casamento impõe, apesar de sermos todos muito modernos. Depressa me cansei de permanecer em casa a engordar e nem sequer me lembro de ter acolhido um casal que fosse, naqueles jantares atrofiados, cheios de salamaleques e conversas à volta de bibelots, ou vendo aquele filme empastelado, mas que é do gosto dos convidados. Para mim não dá. Quanto ao relacionamento com a minha mulher, nada mais simples: ajudo no que posso e dou graças a deus por ela aceitar, a custo, aquela regra judaico-cristã de que a mulher tem de engomar e andar à volta dos tachos (confesso que não sei engomar mas sou um artista na arte gastronómica). Isso até nem é o que mais arrelia um casamento. O que verdadeiramente destrói os casamentos é o enfado, o compromisso do compromisso. Eu explico: nunca me hão-de ver a conviver com os amigos da minha mulher, só porque são amigos dela. Nunca hão-de ver a minha mulher a jogar poker e a beber cerveja com os meus amigos, só porque eu gosto. Nada disso. Amigo não empata amigo. Seguindo esse princípio, garanto-vos que o amor, chamem-lhe o que quiserem, nunca desce, jamais acaba. Porque há sempre descobertas a fazer-se, enquanto casal. Há sempre um laivo de loucura em cada olhar, em cada aroma. E nem falo dos filhos, porque a esses eu amo demais e nunca serviriam para sustentarem o meu casamento. E para terminar eu passo aqui, um pequeno excerto de uma conversa que tive com a minha mulher há quatro dias atrás, para perceberem bem onde pode estar esse tal amor de que muitos duvidam: “que queres para o almoço? língua ou espetada?” respondi de pronto: “tu é que tens que me dizer o que queres”. Ela retorquiu com paixão: “Sabes bem que eu quero sempre as duas coisas”. Eu só tenho é que dar, mainada.
cotações
Com a convocatória de Moreira para a Selecção AA a cotação internacional do jovem jogador do Benfica não pára de crescer. Um Agente FIFA declarou mesmo que Moreira já vale dois Euros.
tinta de sangue
Quinta-feira. É necessário coragem para por o dedo na ferida. É preciso não se ter medo de dizer as coisas. Estou farto desses judeus imperialistas que exterminam inocentes. É urgente uma palavra forte de condenação. Não se admite toda esta hipocrisia à volta de textos e mais textos. Por mais que se esforcem, não conseguem desfazer em mim toda a revolta e todo o nojo que sinto pelos israelitas. São um povo que se reinventa, em cada dia, através da imposição da força, seja bélica seja económica. E todos os fariseus que os seguem, que os aplaudem, que os defendem são um esterco que me dá vómitos. Ide para lá, sois como eles. Não se admite a falta de respeito por seres humanos, inocentes, crianças, cidadãos que se transformaram em alvos humanos de um estado terrorista. Não há pior terrorismo do que aquele que surge da legalidade de um estado de direito. Por isso vos digo: tudo o que escreveis a favor de Israel é escrito com tinta de sangue, vermelho, que jorra da foice cruel do imperialismo
quarta-feira, 19 de maio de 2004
augustina bessa-luis (prémio camões 2004)
Garras dos sentidos
Não quero cantar amores,
Amores são passos perdidos,
São frios raios solares,
Verdes garras dos sentidos.
São cavalos corredores
Com asas de ferro e chumbo,
Caídos nas águas fundas,
não quero cantar amores.
Paraísos proibidos,
Contentamentos injustos,
Feliz adversidade,
Amores são passos perdidos.
São demências dos olhares,
Alegre festa de pranto,
São furor obediente,
São frios raios solares.
Dá má sorte defendidos
Os homens de bom juízo
Têm nas mãos prodigiosas
Verdes garras dos sentidos.
Não quero cantar amores
Nem falar dos seus motivos.
Não quero cantar amores,
Amores são passos perdidos,
São frios raios solares,
Verdes garras dos sentidos.
São cavalos corredores
Com asas de ferro e chumbo,
Caídos nas águas fundas,
não quero cantar amores.
Paraísos proibidos,
Contentamentos injustos,
Feliz adversidade,
Amores são passos perdidos.
São demências dos olhares,
Alegre festa de pranto,
São furor obediente,
São frios raios solares.
Dá má sorte defendidos
Os homens de bom juízo
Têm nas mãos prodigiosas
Verdes garras dos sentidos.
Não quero cantar amores
Nem falar dos seus motivos.
bom dia
Quarta-feira. Acordei tarde e estou um pouco constipado. A cerveja anda morta e insípida mas eu insisto, e acordo tarde. Vou tomar um banho, ler jornais e talvez não me importe nada com a canícula, o transito e a falta de negócios. Nem sei se faça a barba.
terça-feira, 18 de maio de 2004
tu mereces
O Benfica leva seis jogadores, seis, à Selecção Nacional, com especial destaque para Moreira, o futuro guarda redes titular da Selecção Principal, que vai participar também no europeu de Sub-21. Se tomarmos em conta as convocatórias de Fyssas (Grécia), Sokota (Croácia) e Andersson (Suécia), bem podemos nós, benfiquistas, estar orgulhosos destas nove águias.
Será que este gajo vem a Portugal?

Já agora fiquem sabendo que este gajo empresta a sua voz à banda sonora do novo "Shrek 2", na figura de um pianista com uma só mão e canta "litlle drop of poison" ( Nick Cave também participa ). Se o simpático "Ogre" já era uma grande e divertida história, a sequela promete ser mais uma delicia.
ai como os tempos mudam

«Inesquecível a festa. A multidão saiu em peso à rua para homenagear o nosso sucesso e fomos obrigados a subir ao tejadilho do autocarro para agradecer-mos o carinho dos milhares de adeptos, que não paravam de nos aplaudir»,
Esta frase aparece impressa no jornal "A Bola". Fiquei parvo. Aquele jornal ensinou-me a ler, no tempo do Alfredo Farinha, Carlos Pinhão, Vitor Santos, etc. Agora está feito nisto. É o reflexo da falta de preparação, ao nível do português escrito, que os novos jornalistas transportam das universidades para as páginas dos jornais. Isto é preocupante, meus caros. E triste.
PS: e não me venham dizer que foi erro do computador.
Esta frase aparece impressa no jornal "A Bola". Fiquei parvo. Aquele jornal ensinou-me a ler, no tempo do Alfredo Farinha, Carlos Pinhão, Vitor Santos, etc. Agora está feito nisto. É o reflexo da falta de preparação, ao nível do português escrito, que os novos jornalistas transportam das universidades para as páginas dos jornais. Isto é preocupante, meus caros. E triste.
PS: e não me venham dizer que foi erro do computador.
ATENÇÃO

Um erro de interpretação levou Pinto da Costa a comprar seis mil bilhetes para o festival de música Rock in Rio, convencido de que se tratava de uma sessão de apedrejamento público a Rui Rio, presidente da Câmara Municipal do Porto!
A confusão reside na tradução literal de Rock in Rio, que é "pedra no rio". O erro também se deveu ao facto de Pinto da Costa não ter conseguido obter a opinião da sua habitual conselheira para assuntos mediáticos, Maria Elisa, que estava incontactável em Londres, onde exerce actualmente funções de adida de imprensa na embaixada portuguesa.
Foi a própria organização do Rock in Rio que percebeu que alguma coisa estava errada quando receberam um telefonema de um funcionário do clube azul e branco perguntando "quantos calhaus é que cada pessoa podia levar para o recinto".
A confusão reside na tradução literal de Rock in Rio, que é "pedra no rio". O erro também se deveu ao facto de Pinto da Costa não ter conseguido obter a opinião da sua habitual conselheira para assuntos mediáticos, Maria Elisa, que estava incontactável em Londres, onde exerce actualmente funções de adida de imprensa na embaixada portuguesa.
Foi a própria organização do Rock in Rio que percebeu que alguma coisa estava errada quando receberam um telefonema de um funcionário do clube azul e branco perguntando "quantos calhaus é que cada pessoa podia levar para o recinto".
segunda-feira, 17 de maio de 2004
post que não deveria ser post (porque sou xunga)
apenas cumprimentar o cl e o gs por considerarem este blog "de fugir" (pese embora eu seja contra a iniciativa deles de classificarem blogs - adiante). realmente é mesmo essa a sensação que tenho sempre que o digníssimo autor me aparece, no technorati, em constante actualização. parece dizer-me: "doi-me + ainda se não botas aí um link do meu blog". e não percebo que interesse pode ter um blog onde se escarrapacha tudo o que é patologia, apresentando-se o seu autor como sendo um hipocondriaco compulsivo, sem "eira nem beira", demonstrando uma falta de respeito gritante por todos aqueles que sofrem realmente de algo. moliere está nos escaparates e na minha estante. para esse peditório não dei nem vou dar.humpf
Subscrever:
Mensagens (Atom)
