domingo, 14 de maio de 2006

de itália

"Non sono niente. Non sarò mai niente. Non posso voler essere niente. A parte questo, ho dentro me tutti i sogni del mondo". Fernando Pessoa

tudo bem

O jogo da Final da Taça de Portugal, ganho pelo F.C.Porto de forma clara e justa, trouxe-nos dois temas que merecem algum cuidado: Scolari, na bancada, a observar o comportamento de Ricardo Costa no banco de suplentes, a ver se estão reunidas todas as caracteríticas para a convocação rumo ao Alemanha2006 de mais um suplente profissional e o facto de alguns jogadores e técnicos não saberem que quem estava ao lado do senhor das medalhas era o Presidente da República.

sexta-feira, 12 de maio de 2006

pastores e tótós

Dantes, no meu país acordávamos a ouvir a "Rádio Renascença" e a "Comercial" porque a televisão pública do estado abria só lá para a tardinha. No meu país, dantes, quase todos iam à missa aos domingos enquanto os preservativos ficavam a secar no estendal do quintal. No meu país era tudo simples, pequeno e boçal. Depois veio a revolução, a democracia e o progresso. Apareceram as rádios locais e a pílula do dia seguinte. Surgiram as televisões privadas e a TV por cabo. As pessoas vão menos à missa ao domingo e passam pelo “Carrefour” a comprar camisas de Vénus e fraldas descartáveis. Depois comem qualquer coisa rapidamente e voltam a casa para ver televisão. Por cabo e paga.
Agora, de manhãzinha, no meu país existe um canal pago por nós e que paga a quem nós pagamos que nos fala sobre “como incrementar a nosso sucesso financeiro”. Depois mete-nos uns programas “freaks” sobre falsas polémicas e, à noitinha, atira-nos missionárias palestras onde o rebanho pode participar telefonando. Provavelmente divorciadas do “gazzag” e desempregados da “fábrica de produtos estrela”. E os pastores arrebitam os colarinhos e chiam frases bombásticas de fazer inveja aos matadouros caseiros da Bairrada. Um tal chiar que, não fora a encriptação uma das mais perfeitas tecnologias do pacote, certamente congestionaria tudo o que é canal de transmissão.
No meu país nós somos uns totós. Porque pagamos um pacote de canais de nulidade quase absoluta e vemos notícias editadas pela fulana “a”, revistas pelo sujeito “B” que por acaso é marido da primeira e supervisionadas pelo director “X” que por simples coincidência é padrinho do segundo filho daquele casal.
No nosso país é assim. Somos mesmo totós. Temos “líderes de opinião” que cagam de tudo menos daquilo que cheira mal. Pudera, serão eles também pagos com belos banquetes e promessas de “emprego certo se isto virar” para tão suspeitos silêncios? Tão depressa acusam um colega político de “Demagogo” como de repente se esforçam por nada dizer sobre o maior ultraje praticado na sociedade portuguesa pré-selos-de-dois-vinténs que é a imposição aos portugueses da TV Record. Que não lhes diz nada, que não vêem, já se sabe, porque há a “Mezzo” e o caralho mais velho. Apesar de que a retirada do “Arte” foi muito badalada em detrimento da saída de antena do “GNT”, do “Jô Soares”, da “Maria Manuela Braga” e do “Louro José”, do “Manathan” com seus judeus simpáticos, do “Olivier” e do “Jornal das 10”.
Agora temos chiadeira, conversores de ignorantes e almas tristes, que os há e muitos neste país deserto de ideias e capado de emoções.
Somos uma merda, uma tristeza. Somos um peido mole, uma morcela estragada.

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Scolari e a vã glória de mandar

Mais uma vez Scolari faz o que quer e o que lhe apetece na qualidade de seleccionador da Federação Portuguesa de Futebol. Como é um gajo cheio de preocupações relacionadas com os vários negócios que patrocina em Portugal e como ainda não sabe bem se deve continuar a apostar na equipa finalista vencida do Euro 2004, ainda não se apercebeu que Portugal vai organizar um campeonato europeu de futebol na categoria de sub-21 e que essa selecção tem um responsável que já está em estágio embora não saiba bem, a meia dúzia de dias do inicio da prova, com que jogadores pode contar. Só se apercebeu disso porque Agostinho de Oliveira, que de parvo não tem nada e muito menos pode ser acusado de incompetente, preguiçoso ou irresponsável, decidiu fazer um pequeno desabafo relativamente ao santo esquecimento do tal brasileiro que manda nesta merda toda. Queirós vem hoje, e bem, colocar os pontos nos “is” quanto a esta questão: “Se Scolari é o chefe dos sub-21 então é ele que anuncia os convocados”. Trabalha brasuca, ou já vendeste os relógios todos?

quarta-feira, 10 de maio de 2006

escutas

De regresso ao lar costumo ouvir a “Prova Oral” na Antena 3. Trata-se de um programa leve e arejado, manifestamente criado para um público jovem disposto ao consumo e a dissertar sobre tudo e mais alguma coisa. Os convidados do programa de hoje foram a Ana Bola e o Miguel Guilherme. Para além dos clichés habituais e dos estafados e-mails e da má preparação dos entrevistadores, tivemos um Miguel Guilherme verdadeiramente surpreendente e com um discurso que deveria ser ouvido pelos tais líderes de opinião e outras couves da flora mediática da nossa praça. Miguel Guilherme, de facto, colocou o dedo na ferida no que toca a essa merda da depressão que o nosso país atravessa. Tudo se resume a uma coisa: corrupção. E é claro que isto não é novidade nenhuma. Toda a gente sabe isso. O problema é o discurso. O discurso merdoso de tanta gente que aparece a botar faladura. Os do futebol, os dos blogs, os das novelas, os dos programas de entreter. Ninguém é capaz de falar como falou Miguel Guilherme. Todos juntos, essa tropa faz parte da mesma gamela hipócrita e mal-formada. Houvesse apenas um Miguel Guilherme no futebol, nas novelas, nos blogs, nos programas “quadraturais” e outros eixos, e de certeza que este país andaria de cabeça erguida.

um grilo é um grilo ou um post inspirado em Trindade Coelho

Tenho um grilo enjaulado cá em casa. Fui buscá-lo a casa dele num campo de pastagem em Silva Escura, Maia, a aldeia onde se instalou a minha mãe depois do regresso de França. Ouvi o cântico fatal, caminhei devagar e quando vi a “lura” enfiei-lhe uma palhinha e pacientemente esperei que o jovem cantadeiro subisse aflito. Depois tapei o buraco com o indicador e pronto. Acabara de exercer uma das minhas actividades preferidas da minha meninice: apanhar grilos. Mal passava a Páscoa e era correr os campos da aldeia de Vermoim, de Nogueira e mesmo Barca à procura dos melhores grilos. Por vezes chegava a apanhar mais de vinte e trazia-os numa lata cheia de serradela e depois distribuía-os como calhava por quem quisesse um grilo. Não havia coisa melhor na Primavera, para além dos ninhos. Depois, melhor do que isto só mesmo as uvas no final do Verão e o castanheiro da quinta no Outono. Tanta caganeira apanhei por via das uvas e das castanhas, meu deus.
O Alex ficou, evidentemente, muito orgulhoso neste pai que tem. Porque o pai dissera-lhe “ vamos ali e garanto-te que apanho um grilo”. E foi certinho. De modo que agora tenho um grilo enjaulado cá em casa. E canta, o filho da mãe, que ontem foi um castigo para a minha malta ver de enfiada o “Serviço de Urgência”, o “Perdidos” e o “Donas de casa…”. Bom, mas o grilo canta e há-de ser sempre grilo até morrer. Não sei porquê mas nunca dei um nome a qualquer um das centenas de grilos que já apanhei.
O importante agora é que o Alex tem mais uma tarefa de grande responsabilidade que consiste em trazer diariamente uma folha de alface de casa da avó para que o nosso grilinho possa comer e cantar refastelado até ao S. João, pelo menos.

terça-feira, 9 de maio de 2006

thank's and goodbye mr. koeman

Já toda a gente sabia que Ronald Koeman não seria mais treinador do Glorioso Sport Lisboa e Benfica. Desta vez porém, não houve lugar a rescisões compulsivas e litigiosas, nem se exigiu qualquer tipo de indemnização para com o competentíssimo treinador holandês, e isso foi o que realmente marcou este processo escandaloso: o Benfica consegue resolver um caso quase anual que é a mudança de treinador, sem uma mancha de sangue apenas, sem um beliscão e, para cúmulo, com elogios mútuos a demonstrar reconhecimento pela parceria treinador-direcção.
Agora fala-se em Eriksson que também causou escândalo ao recusar o Real Madrid para, dizem as más-línguas (e que más, meu deus), ingressar no Glorioso Sport Lisboa e Benfica, clube que conhece bem, aliás. Eu preferia Humberto Coelho, sou franco, por se tratar de um benfiquista do Porto, por ter já demonstrado possuir tarimba para um clube de classe como é o Sport Lisboa e Benfica e por saber de futebol. Lembrem-se que foi ele o autor da descoberta de Costinha que estava algures em França e veio directamente para titular da melhor equipa nacional que eu vi jogar (a do Euro 2000). Mas Eriksson, retorno por retorno, sempre é melhor do que Camacho ou Jesualdo.

domingo, 7 de maio de 2006

search and destroy

Era para escrever qualquer coisa sobre a pesada derrota do Benfica na Liga Beta mas não, não escrevo nada. Era para escrever alguma coisa sobre o discurso inflamado de certos putos fascistas (não, vou trocar isto - que fique claro: discurso fascista de certos putos inflamados - que fique claro) mas não, não escrevo nada. Era para mostrar o meu enorme contentamento ao saber da descida de divisão do Vitória de Guimarães ( os vitorinos)mas não, não vou mostrar nada.
Hoje é dia da mãe e eu apanhei um grilo. Fantástico!

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Já morreram milhares de pessoas no Darfur



via Tugir

Portuguese give English football black eye

Rod Liddle, do jornal "The Sunday Times", escreveu isto:

"Uma desfeita multiplicada por três e oriunda do mundo lusófono atingiu o coração do futebol inglês. Um treinador português voltou a vencer a Premiership; um jogador português, Paulo Ferreira, arrasou por completo as hipóteses da selecção inglesa ao lesionar Wayne Rooney; e um brasileiro, por fim, deixou a FA no caos ao revelar que há coisas bem mais importantes na vida do que treinar a selecção inglesa. Que é feito da Velha Aliança, tão antiga quanto João de Gaunt e Catarina de Bragança? Ouçam bem, portugas: guardem as vossas sardinhas e o maldito bacalhau!"

Tradução e publicação no jornal "O Jogo". Leia o artigo original aqui

Bom, eu nem comento. Eu dou uma gargalhada num tom estridentemente filho da puta.

terça-feira, 2 de maio de 2006

vamos lá entrar nesse tema

Evo Moralez decidiu nacionalizar os recursos energéticos da Bolívia e o mundo capitalista está apreensivo. Entretanto morre-se em Darfur. O mundo capitalista boceja porque aquilo, ali, não faz o sobe e desce das acções.

uma tarde no parque

É verdade. Gaia também tem o seu Parque da Cidade. Fica em Oliveira do Douro num dos pequenos vales que vão dar ao rio Douro, onde passa um ribeiro e onde em tempos eram quintas durienses, bem tratadas e com boas árvores. Influência inglesa, como sabem, porque o Vinho do Porto assim quis. Que boa tarde passámos ali no Parque da Lavandeira.
Levei o kit de badmington e sempre troquei umas valentes raquetadas com o Alex que está em grande forma. As mulheres "arresolveram-se" por dormitar ao sol, sentadas em confortáveis cadeiras que o parque disponibiliza, e quando não dormiam liam qualquer coisa e ouviam os pássaros e as rãs.
Um belo dia feriado, sem dúvida!

segunda-feira, 1 de maio de 2006

essencial

- Mãe, gostas de sexo?
- Sim.
- Porquê?
- Porque é bom, dá saúde e faz-nos durar muitos anos.
- Para quê?
- Para estar junto de ti.
- Já fizeste sexo hoje?
- Não.
- Porquê?
Web Analytics