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É este o olhar de milhares de jovens que deixaram a escola, como sempre se deixou, e correram para o ferro. Deixam a lavoura dos pais, o gado e a pesada charrua para “puxar ferro até morrer”. Esta frase é pura e corre de boca em boca, lá longe, em Espanha, onde o olhar se fixa no horizonte, na pátria, na prestação do carro, na renda da casa, nos pais ou filhos, na saudade.
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É a pausa, breve pausa. O descanso dos guerreiros, autênticos. Dos que têm de ser duros, horas a fio. Muitas horas! Tantas horas. Doze ou dezasseis, tanto faz. Horas e ferro, ferro e horas.
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É o “porro” que apetece. Que esquece e aquece as almas feridas da dor, da porra do desterro, da escravidão.
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É o sorriso que fica, teimoso. A nobre arte de sorrir no ferro. O escudo mais belo que protege da dor.
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É a viagem a correr. Centenas de quilómetros rumo a casa.
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Qual o perigo se deixámos para trás o ferro, as alturas, as “pantallas”? “Alante” que tenho gente em casa. Só quero chegar a casa.
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É o monstro que fica.
Em pé. Dorme enquanto espera. Para tudo recomeçar amanhã.
Se estivermos vivos...
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