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segunda-feira, 5 de julho de 2004
Segunda. Acordei ainda atordoado com a experiência de ter que consolar um filho que parecia aquele filho que partiu um braço, sentiu muita dor, chorou muito e depois, com um leve e tranquilo tratamento (grande médica a mãe), foi soltando as primeiras gargalhadas entre soluços, ora longos, ora travados pela emoção. Pai desnaturado, eu, que o deixei brincar naquele jogo perigoso. Permiti que ele saboreasse o sonho ingénuo e puro das crianças. Não preveni aquela queda, aquele ferimento. Mau pai, dirão vocês. Acordei ainda atordoado por – eu também – ter alinhado na ilusão de qualquer coisa que podia ser bonita. E foi, ah se não foi. Acordei ainda atordoado, e olhei o meu rapaz que dormia.
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